domingo, 26 de dezembro de 2010

Tenho medo de sonhos que se realizam por recear a perda da capacidade de sonhar. Mas ao mesmo tempo receio também me perder nesse mundo fantástico.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Antes de mais nada gostaria de (me) lembrar que não tenho erros de português. Na realidade utilizo um dialeto pessoal, variante desta lapidada língua: o liviês.

Resultado de uma reflexão

Não sei o nome disso
mas é uma felicidade meio triste
é o tudo dar certo pelo meio
é uma espera eterna
é como quando se corre em uma esteira
há o cansaço mas nunca se sai do lugar
só se vê o resultado
que neste caso não há
(ou ainda é pouco aparente)
Refletindo sobre essa espera eterna
penso que talvez quem esteja sendo preparado
seja eu
com uma mudança de personalidade
ou simplesmente
a não vergonha de se ser
pois se minha cobertura era insossa
era porque o meu tempero estava por dentro
mas com o tempo que já estou no forno
esse tempero me escapa
sinto que agrado mais
(ou com o toque de pessimismo habitual:
desagrado menos)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Não descobri ainda se o nome é conformidade ou se foi a falta de paciência. O que é certo é que as mãos dadas não desencadearam efeitos outrora tão habituais.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Aprendendo a amar no plural ou a matemática do amor

amar muitos não é sinônimo de amar mais
é sinônimo de amar menos
mais pessoas
é quando a conta de multiplicar
produz um número menor
porque sofrer por mais pessoas
é sofrer menos
por mais pessoas
hoje aprendo a dividir meu amor
pois não quero me diminuir
novamente
para caber na mão de ninguém
eu quero multiplicar
mesmo que o resultado dê zero
porque se de todos os meus amores
nenhum der certo
eu não precisarei terminar
para conseguir começar de novo

domingo, 12 de dezembro de 2010

Potencial em interessar-se

Deveria aproveitar mais meu potencial em me interessar pelas pessoas levando em consideração, claro, que dado potencial só é existente se o interesse por um determinado alguém ainda não tiver atingido a casa dos 100%.

Dos teus, agora ausentes, cachos aprendo a doutrinar minha impaciência ao preço módico de olhar para o lado. Atitude ainda difícil mas foi com sorte, que olhando pra frente, encontrei novos cachos. Diria ainda que me perco igualmente nos dois. O desafio agora é me perder em três cabeleiras distintas pois quanto mais me perco menos me sinto confusa.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A quebra de um romantismo em potencial

Em meus delírios
me perco em teus antigos cachos
mas são apenas delírios
pois antes de me perder
tenho bom senso

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vivendo em espirais

Andando em espirais embaralhadas
desço quando subo
mesmo tentando mudar de caminho
noto:
estou andando em espirais
Vejo o eu antigo
que com o atual compete
noto:
andar em espirais
é visitar velhos problemas
com a possibilidade de mudar o tipo de (re)ação
mesmo que esses velhos problemas
ainda sejam atuais
Viver nessas espirais
é como perceber o espaço-tempo
noto:
não importa o quanto eu tente
eu serei sempre eu
num espaço talvez certo
mas num tempo sempre errado

sábado, 4 de dezembro de 2010

Enquanto a certeza não reina
há esperança

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Definição de "jogar merda no ventilador"

É quando você faz tudo o que achava que não deveria fazer mas o faz porque deixar de fazer também é algo que não deveria ser feito. Depois da merda jogada o sentimento de nervosismo aflora seguido de uma tranquilidade profunda.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O último ato de alguém que quis amar

Eu quis me enterrar viva
mas a vida foi bem traiçoeira
e com uma flecha certeira
me mostrou que mesmo querendo e tentando
não consigo me desvencilhar de sentimentos
nem procurando desculpas para evitá-los
Declaro aqui que desde os tempos de Adão e Eva
meu único desejo era encontrar um amor recíproco
e tão velho meu desejo
é meu fracasso em encontrá-lo
por isso me fechei e acreditei que era pra sempre
mas o pra sempre tem ponto final
Me encontro novamente com aquela fecha
que sempre me pega em cheio
permitindo somente a loucura
tamanha a dor que me causa
Tentar andar com essa flecha
será meu último ato
pois antes morrer uma vez de tristeza
que viver morrendo de amor

O ato de esquecer de ser triste para ser feliz

Não quero de volta aquela vida de migalhas
mas percebo ser algo inerente ao meu querer bem
de um modo geral
e também acentuado
dependendo da pessoa em questão
Busco nas antigas lembranças
aquelas empoeiradas decisões tomadas
porém enquanto embriagada
vejo somente turvos desenhos
Nesta minha dolorida cegueira
lembro mais uma vez da imensa felicidade
que sentia na tristeza
desencadeando o aprofundamento da última
pelo simples motivo de ficar assim:
inerte

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Metade/ metade

Eu sou metade mentira
e metade disfarce
Sou metade palhaça
(com um toque dramático)
e metade comediante
Metade de mim é implicante
a outra metade ainda mais
Eu sou muitas metades
(ou livias que se apresentam
de acordo com o espectador)
Mas neste palco
de ausente platéia
metade de mim faz graça
e a outra metade se diverte

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Há pessoas que sobem degrau por degrau
eu prefiro a escada rolante

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Minha vida é um mar azul tranquilo
as vezes com manchas de petróleo
mas nunca com ondas...

ma vie est une mer bleue et calme
parfois avec de taches d'huile
mais jamais avec de vagues...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mad World

Depois de alguns meses procurando um título geral para meus trabalhos acabei encontrando. Era uma música de um filme que custei a lembrar. Ficava cantarolando aquela melodia sem letra quando de súbito lembrei que era de um filme cujo nome demorei quase um semana para desvendar. Eu lembrava que começava por um D em algum lugar. Até que em uma das minhas sessões de "cantarolagem" ele veio como o ar que chega aos pulmões de alguém que esta se afogando. Donnie Darko.
Tenho tirado tudo de minhas lembranças. Talvez a atual criatividade não passe de plagio do tempo em que ela era realmente criativa. Por tanto para um mundo de loucos que título poderia ser melhor que Mad World? Com isso faço ainda meus cumprimentos ao inglês. Língua cuja função já foi muito questionada e rejeitada por mim. Diria ainda que essa é a coroação da maluquice toda.

domingo, 19 de setembro de 2010

Conjugando vontades

Queria parar de viver de lembranças
das quais muitas já foram adulteradas
pela ação do tempo
Queria conseguir viver
mesmo nesta condição de exílio
no lugar de ser meu próprio fantasma...
Como poderia eu
querer que os outros não desistissem de mim
tento sido eu
a primeira a me deixar
Assombrando meus dias com uma cara rabugenta
afungento tudo e todos
que ainda tem a audácia de se aproximar
Gostaria de deixar de conjugar
minhas vontades no condicional
mas isso acaba sempre ficando para um amanhã...
Um amanhã que passa com pressa
deixando apenas o mesmo passado:
a vontade de conjugar meu verbo ao presente

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pensando alto

Nos recentes dias que passaram com pressa tive uma grande vontade de jogar tudo para o alto - como se eu já fosse um alguém. Tive vários por quês brincando de cambalhota em minha mente. Queria me esconder de tudo e ao mesmo tempo tudo e todos encontrar. Queria rir de uns, rir com outros e chorar a sós - engraçada uma ação solitária sendo definida por uma palavra no plural... . Andei pensando na utilidade de ter um diploma. Qual a explicação de tal necessidade? Não seria a vida indígena muito mais interessante que a nossa? Gostaria de entender o por quê das hierarquias pois não foram raras as vezes em que achei de imbecilidade estupenda frases formadas por autoridades, no sentido geral da palavra. Hoje eu quis renegar minha arte para poder aceitá-la. Decidi também que quero trabalhar para mim e ser minha própria colecionadora, embora eu ainda me sinta razoavelmente seduzida pelo cruel mercado da arte. Ou poderia dizer também: sua própria guilhotina. Acho que é essa brincadeira com o perigo que me atrai. Esse viver no limite. O limite se dá por esse contato que de uma hora para outra pode acabar com o que vende. Não quero ser uma mera máquina. Mas a cada dia a certeza é crescente de que são essas máquinas que vendem.

Escolhas ou o simples seguimento do curso da vida

Hoje, repensando minhas escolhas, tive a ligeira impressão de ter feito algumas turvas. Turvas em relação ao meu sentimento de artista por assim dizer. Reafirmei mais uma vez para mim que sou apaixonada pela gravura e aceitei de uma vez por todas o fato de ter sido amor a primeira vista (a primeira impressão é a que fica - tosco mas verdadeiro). Nesse meio tempo digamos que tive um relacionamento sério com a pintura mas tive sempre a gravura de amante - preenchendo meus tempos vagos. Como todos os relacionamentos entram em crise digamos que estou tendo uma crise séria com a pintura. Enquanto me forço a pintar em um ambiente pouco atraente e que não me dá vontade nem de levantar da cama, me sinto cada vez mais motivada para gravar. Hoje em dia predomina em mim uma angustia em relação a pintura pois se pintar não quero, quero menos ainda pintar o que me mandam. Sinto a perda do tempo passado e presente. A perda da possibilidade de me aperfeiçoar na gravura e da produção de lixo visual que estão se tornando minhas pinturas. Eu pensava que na graduação deveríamos ser direcionados para o que queremos fazer, ou no caso pintar, no futuro quando a direção será dada por nós. Mas agora vejo que foi só mais um de tantos enganos ao longo de minha graduação. Os únicos motivos pelos quais ainda não me deixei afundar foram as dúvidas em relação ao meu progresso: Teria sido ele como foi, ou não? Teria eu chegado a maturidade crítica, do ponto de vista artístico, atual, ou não?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Belas Artes

Quando se pensa em Belas Artes se pensa logo em quadros ou esculturas, aquelas antigas de museu que com a altivez de uma assinatura ou data conseguem mudar um olhar crítico para um poço de elogios.
Quando se pensa em Arte Contemporânea tem-se logo a visualização de instalações ou vídeos sem sentido pois se algum sentido houver bem longe se está da contemporaneidade.
Quando eu penso em Belas Artes vejo um novo que briga com um velho que ainda mostra suas habilidades. Eu diria que o velho está cansado demais para as loucuras do novo. E diria também que o novo, ou velho adolescente, já me cansou bastante com as suas besteiras.
Estou cansada da guerra da arte, ou da prepotência do saber quando o sujeito é tão esquivo.
Os artistas famosos de tempos um pouco distantes começaram algum dia, muito provavelmente sem experiência (que alguém me cite um gênio se eu estiver mentindo). A distância entre o espectador do presente se tornou tão maior que a ínfima duração da vida do artista que tudo que restou foi seu nome igualizando o crescimento da qualidade do trabalho em um andar do pódio. É por isso que esse nome vencedor diz: "eu sou uma boa obra pois tenho assinado fulano de tal". Se foi o fulano de tal sua obra deve valer uma fortuna mesmo que quando ele a tenha feito não passasse de uma criança no campo artístico...
Já os artistas famosos da atualidade conheceram alguém algum dia... Explicação para a ausência de explicação de alguns casos...
Prefiro não listar nomes deixando assim uma crítica fictícia que na hora ou na cabeça certa serão configuradas como realidade.



*Deixo em anexo minhas desculpas por um português de nem tão boa qualidade.

Château de sable

Moi, je ne peux plus
La fatigue des questions de toujours c'est très lourde
Mon envie de vomir est plus grande à chaque regarde
à chaque mot de plus
Moi, je ne suis pas faite de sable
mais je me sens comme en petit château de la plage
je me sens comme l'enfant heureux qui l'ai fait
et comme le coup de pied ou la vague qui l'a détruit
(cela dépend du genre de la faiblesse)
Je vois le temps qui coule
ainsi que celui qui s'arrêt quand le soleil ne passe pas par la fenêtre
(juste pour nous faire sentir un peu plus le temps ou souffrir davantage)
Moi...
mes envies...
mes moi même
nous n'avons plus d'énergie
finalement il est détruit
le plus nouveau château de sable

C'est dingue

Il y a de gens que n'ont plus de la place dans nos vies
mais il y a quand même de la place pour de gens qu'on ne connaît pas encore
c'est dingue

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Solo infértil ou a espera pelo dia

Queria que o mundo ouvisse que na terra do samba não sou feliz
que suas mulatas requebrantes e de sorriso estampado
não conseguem abafar o batuque da miséria
(ou a trilha sonora de todos os dias)
Gostaria de ver o dia em que os estrangeiros não achassem que isso aqui é festa
e que compreendessem que os gritos dados ao balançar da rede fazem parte do circo da alienação
Espero ainda o dia em que nossas mulheres não serão mais tratadas como putas
e que para isso deixem de tratar por queridos esses forasteiros que só querem diversão
Não posso esquecer de frisar meu desejo pelo dia em que a corrupção vai ruir
e também aquele dia em que bandido não será mais sinônimo de policial...
É sobretudo por esta pequena e incompleta lista
que aguardo ansiosamente pelo dia em que obterei minha carta de auforria
aforria da terra brasilis
de seus estereótipos e suas verdades
pois na terra brasilis
infelizmente
minha árvore não dará fruto

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ocilações

Do ócio
ao cio
o ofício
do ofício
do ócio
o cio

domingo, 18 de julho de 2010

a arte da comunicação

Vocês fecharam as portas dos fundos mas jamais tiveram a chave da porta principal.
Chave esta que creio ter encontrado.
Tão logo seus olhos estarão arregalados pois eu também estarei no baile.
E eu asseguro que uma vez lá dentro este será o primeiro de muitos.

domingo, 20 de junho de 2010

(de cara) pra volta - "(18 dias)"

Sinto que há alguma coisa que me espera
o aqui vai chegando ao fim
e tenho novamente a vontade de voltar pra casa
tenho medo
mas quero descobrir o que tem lá
espero que seja bom
talvez um bolo gigante de chocolate
melhor que velhas maçãs adormecidas

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sempre brincando com pontas de facas...
É assim que consigo as feridas mais incomodas

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Les sentiments d'une grosse merde ou de personne

Aujourd'hui je me sens comme une grosse merde
comme une merde d'artiste
comme une merde de femme
comme une merde de personne
(en fait je peux essayer de dire:
une merde de façon générale)
Peut-être mieux cela serait
de me sentir de vrai: personne
car en tant que personne
normalement je devrai avoir
une absence de sentiments
non?
Não posso me culpar
(ou não devo)
pelas ausências de atitudes passadas
pois em se tratando de ausência
o que eu não conhecia
era a compreensão dos fatos/ atos
Queria que os sentimentos fossem mais simples
pois o que sinto não tem nada de abstrato

O vôo

Estou triste
mas minhas lágrimas já secaram
Descobri que no meu vôo alto
esqueci de tirar os pés do chão
Enquanto isso vejo os pássaros
que as vezes me visitam com seus rasantes
e em segundos que em mil vezes se dividem
retomam seu lugar ao céu
Talvez eu seja um pássaro
cujo as asas esqueceram de crescer
um pequeno passarinho que no máximo consegue andar
(em círculos)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Você é o meu veneno.

sábado, 22 de maio de 2010

De volta pra casa (ou o medo da volta)

Tenho medo de não mais saber o que é o calor
de não me reacostumar a rotina de fundão
ou da falta que sentirei em estudar perto e com bons materiais a disposição
Tenho medo de não me reacostumar a não mais controlar meus gastos
mesmo que eu ainda não tenha um salário
Tenho medo de perder a liberdade de ter algo que chamo de lar
mesmo que este seja só um quarto
ou de não poder mais ir para onde quero sem ter que dizer com quem ou a que horas volto
mesmo que eu não ande fazendo nada de mais
Tenho medo de me sentir muito velha e descobri que já não conheço mais quase ninguém na faculdade
pois muita gente já se formou
ou pior ainda:
que as pessoas me rejeitem porque eu vim estudar na Europa
mas não virei Michelângelo
e talvez, na verdade, agora eu pinte pior que antes...
Tenho medo de ficar para trás pois se eu divido tudo que tenho
vejo que os outros me escondem as coisas
e fazem cada vez mais
Tenho medo de voltar para o passado
assim como tenho medo de um futuro totalmente diferente
Tenho medo ainda pois sinto que amadurecerei de novo na volta
mas talvez eu não me sinta pronta ainda...
sei que dói

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eliza

A sensação que tive hoje em relação à nossa amizade, depois de ler seu mail, foi de um filme visto em slow motion ou muito rápido, como nas vezes em que você se perde e resolve procurar um pedaço específico. Nesses meses que se passaram diria que nossa amizade permaneceu no módulo virtual com a diferença de que em alguns momentos me senti mais perto de você do que quando a distância eram algumas quadras. (claro que em outros momentos me senti impotente. Sensação que tenho também quando lembro que perderei seu casamento). Sei que sempre que procurarmos nossa amizade estará lá. Não sei porque mas minha amizade por você é diferente, um sentimento de igual pra igual, acho que amor de irmão mesmo. Perto de você não me sinto nem menos nem mais. Me sinto bem. Esse tempo em que estivemos "ausentes" não anula os últimos acontecimentos de nossas vidas, claro. O que quer dizer que temos muito a contar uma para a outra. Nossa amizade anda sempre em paralelo com nosso crescimento, mesmo que os reais pontos de tangência tenham sido cada vez mais espaçados. Não há nada de estranho que tenhamos amadurecido nesse período, muito pelo contrário, isso é viver. E acho que mais uma vez tivemos um amadurecimento simultâneo. Somos agora duas jovens adultas. Talvez já com linhas que se transformarão em rugas (ou pelo menos eu hehehe).
Estou feliz por nós.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Caras amizades

Estou realmente desapontada com as ditas amizades
Meu colorido mundo à parte transforma-se rapidamente em um muro cinza
as vezes com manchas de sangue
dependendo da intensidade da decepção...
Gostaria de tudo dividir com àqueles por quem tenho afeto
mas tenho me sentido tão estúpida ao fazê-lo
que a vontade de não mais me sentir desta maneira
supera a alegria que tenho em tudo dividir
Não que eu espere retorno
não é isso que digo
O meu problema é que penso:
se você tem um amigo
você tenta ajudá-lo...
se não, eu me pergunto:
de que são feitas as amizades?

domingo, 16 de maio de 2010

Às pessoas que dizem "estou evoluindo":
Inevitável que eu pense que vocês são Pokémons...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Fantasmas do tempo

Tenho medo dos fantasmas do tempo
de procurar pelo que já morreu
de deixar morrer o que acabou de nascer
de encontrar os zumbis que gostaria que descansassem em paz...
Tenho medo de não me reacostumar nem com o tempo
pois acabo de me acostumar a viver aqui na verdade
tenho uma nova visão de realidade
se acostumar ou se reacostumar dói
mas ainda creio que se acostumar ao novo é menos difícil
se reacostumar com os velhos problemas
é já saber de cor o que te atormenta
são como as velhas novidades de jornal...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A mudança

Mudo as ideias de sempre e, por acaso, sempre obtenho um sujeito melhor (pra mim)
a crescente não é acompanhada pela técnica pois se agora tenho boas ideias, tenho quadros piores do que aqueles que iniciam
O que me surpreende nesta descoberta toda é que ao lado dessa salada de arte tem meu gosto
ele mudou também
ele se despiu ou se vestiu, não sei ainda
porque mesmo pintando quadros declaradamente ruins
eu gosto deles

domingo, 2 de maio de 2010

Ser artista é uma visão de mundo

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Achei que poderia sustentar a vida de um corpo que não é meu
Ora porque faz mais do que aguenta
e outras porque quando o vejo sinto que não é o meu
minhas marcas não estam nele
e as marcas que ele possui não reconheço
O tempo me levou uma parte
e da parte que resta o sentido é ausente
pois elas era irmãs gêmeas mesmos sendo filhas de pais diferentes
De toda energia gasta o que resta:
felicidade e tristeza
a felicidade de ver o abstrato concerto
e a tristeza das abstratas dúvidas eternas
Constatar que podemos concretizar ideias
ao mesmo tempo em que a certeza do não ir longe se torna mais forte
(mesmo que haja a crença em si próprio)
é igual a uma equação de resultado zero
onde o zero é sinônimo de melancolia
Nos dias que tem se arrastado com pressa
fica cada vez mais evidente uma questão interna:
- O que você tem?
Que sempre obtém como resposta:
- Nada.
Um nada cheio de sentimentos contraditórios

Menos de um segundo

Nos últimos dias tenho sentido forte a montanha russa do meu ser
se agora estou de braços pra cima prestes a dar um grito
em menos de um segundo estou de cabeça para baixo pedindo pelo amor de Deus que ela cesse
se agora eu tenho toda esperança
em menos de um segundo ela já está tão longe que nem sinto mais seu rastro
se agora eu durmo pouco e tenho certeza que tudo vai dar certo
em menos de um segundo caio no sono, com certeza de que o "tudo vai dar certo" é a mais cruel das utopias...
se agora eu me apaixono
em menos de um segundo já não sei mais o que é o amor
se agora sinto que posso tocar todos os meus amigos
em menos de um segundo sinto a mais terrível das solidões
se agora me sinto viva e capaz de tudo
em menos de um segundo minha incapacidade me faz crer que eu já morri
pois uma vez que se atinge o topo
a sequência do capítulo é chegar como um raio ao fundo do poço

terça-feira, 27 de abril de 2010

Hoje me sinto curada e posso dizer que das tuas mãos não tenho mais lembrança
Sou uma fênix renascida das suas próprias palavras
fazendo ecoar o canto de uma nova esperança

Velhas conhecidas

Estas velhas músicas não me dizem mais muita coisa
Quando muito me sussurram de leve nunca terem feito parte da minha trilha sonora
Ainda não encontrei um por quê de sentir mesmo as músicas de ontem como velhas conhecidas das quais temos sempre as mesmas notícias.
Nem dos amores que elas ilustraram e afagaram consigo lembrar
Estaria eu transmitindo finalmente minha energia e sentimentos auditivos para as cores que têm ilustrado meus dias?
Seria a falta da necessidade das melodias alheias o tão buscado inicio da minha própria poesia no estilo do mais agudo grito que um amarelo incandescente pode dar?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Um aviso (a aqueles de quem gosto)

Tem gente, de quem gosto mas, que toca perigosamente nos meus nervos me dando uma vontade enorme de sapecar na cara coisas que não devo...
"Por que você não fez isso ou aquilo? Teria ficado mais interessante..." Só porque talvez em tal época isso ou aquilo de mais interessante estivesse um degrau acima das minhas capacidades... É tão complicado de entender? Isso porque num mundinho bem hipotético essa gente faz tudo. Acredito até que iluminem suas casas com as estrelas que caçam no céu... Sim, as perguntas são no nível desse absurdo. Um absurdo! Espero eu não ser dessa gente porque mais cedo ou mais cedo ainda meus nervos alcançaram meu limite onde o degrau acima você não atingirá nem com uma escalada.

sábado, 24 de abril de 2010

Hoje em dia o que sai das sombras das artes é a escória
os bons permanecem de baixo dos escombros

O atraso do boneco que se desmonta

Não consigo parar...
O atraso me persegue
Dormindo penso atrasando o sono
E acordo já fazendo os dois meses que deixei passar
Eles passaram sem que eu visse, não por preguiça
Mas pela pura e simples incapacidade de ser o tempo todo por inteiro
Esse atraso leva ao viver dois dias a cada dia
Esse viver em dobro, por sua vez, ao estresse
o estresse de tudo fazer rezando para que nada dê errado
leva à incapacidade do ser depois
Então eu sumo, ou pelo excesso, ou pela ausência
mas há os que me vêem correndo atrás do atraso
Com um corpo que está próximo do limite
Por isso, a cada dia tenho mais certeza de ser só um boneco
Um boneco no automático
e no qual de todos os remendos há enxertos que se escapam...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eu quero que você o tenha
mas não que modifique
e diga que é seu

O que dizer de mim...

(reticências no tempo)

sou um poço de doçura
e dois de maldade pura

um auto-retrato que baila pauta a baixo pintando notas

caleidoscópio personificado originário do Rio de Janeiro

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Fim

Hoje eu finalmente entendi o significado da palavra fim.
Descobri que quase todos os recomeços foram na realidade o seguir em frente achando que o que estava pra traz la ficaria.
O fim é diferente. É feito de tudo que foi ao mesmo tempo e junto de quem o viveu. Mas o que o singulariza do simples ato de seguir em frente mesmo que ainda haja dor ou o medo de que a alegria cesse é a indiferença. Não uma indiferença esnobe. Uma indiferença daquelas que nos faz duvidar de que fomos realmente nós que vivemos aquilo tudo.
Enfim.
Para tudo que foi e que me faz duvidar:
Fim.

quarta-feira, 31 de março de 2010

quelque chose m'a dit:
- Vas-y! Prends la!
E eu peguei a bière
Um pouco beurré eu procuro a idéia
Parce que je ne peux pas commencer sans elle
Tu comprends?
Hein?
Eu preciso dela...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pontuação

Desenho nosso final com um ponto.
Descartando aquela vírgula,
Que na realidade era uma pausa maior;
ponto e vírgula.
"Pinto o recomeço entre aspas"
(mas nossa história fica sempre entre parênteses...)
[talvez depois (ela) fique entre colchetes também]
{e é por isso que uso a chave, para abrir a porta da saída}
- E sempre tendo uma só fala - diz uma pessoa vazia - Ponto

domingo, 28 de março de 2010

Porque as pessoas tem problemas... Que responderia eu à uma pergunta que não se faz? Não sei o que se passa mas minha língua tem querido falar demais. Talvez seja o excesso da contenção. Ou a falta de uma simples conversa, daquelas que a gente joga fora. Mas ao mesmo tempo minha seleção pessoal me impede de manter contato com quem ela desclassifica. Dai posso voltar ao início: Porque as pessoas tem problemas... Que responderia eu à uma pergunta que não se faz? Círculos... O problema é que isso gera a probabilidade do recomeço. Então eu retomo: Minha seleção pessoal... Ela desclassifica...

quinta-feira, 25 de março de 2010

No inicio eram só palavras vazias de quem queria fazer bonito
Agora diria que estão mais para palavras de escárnio, ainda que vazias.
Caminhando contra o tempo que a cada dia me aperta mais forte procuro algo definido mas que nesse mesmo momento ainda não se mostra e por isso é também abstrato.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Porção de um nada

Sentimento sem dono
talvez por isso infiel
dançando sem parar
troca de par com leveza
e sem complicação
Ou talvez
seja esta leveza
o extremo contrário
Com sua voz suave
espalha o mais fino veneno
que a cada parte dissipada
o preço que no final paga
é ser somente uma porção
de uma poção invisível
e (ou) por isso
inexistente

quarta-feira, 17 de março de 2010

Reflexos da impotência

Isto recomeça...
A ausência
das idéias (geniais)
que se interessantes
de noite
de dia
nem tanto
Isso recomeça
A permanência
da impotência
que se forte
durante o dia
mais forte ainda
durante a noite
Isso recomeça
A boneca sem vida
que me encara
e cara-a-cara
permanecemos mortas
sozinhas
e à dois

domingo, 14 de março de 2010

Implicantes ou A valentia da covardia e vice-versa

Um coração covardemente valente pela ousadia de não ousar esperneia. Sente mentindo que não. Uma parte bate, late, grita, chora. Mas a que controla, ignora. Um coração covardemente valente tenta, no plano imaginário... Mas o valentemente covarde olha, ensaia e quando viu, já foi embora... O coração valente na hora da covardia briga pelo medo de algo que talvez nem seja e que acaba efetivamente não sendo. O coração covarde na hora da valentia briga pelo que não é. E se assim... Sempre... Jamais será.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Uma parte ou outra

Uma parte de mim grita
A outra cala
Uma parte de mim chora
A outra engole, o choro
Uma parte de mim ama
A outra... não quer
Uma parte de mim quer ser
A outra não se importa
Uma parte de mim deita e rola dizendo que sabe o que quer
Pra outra tanto faz...
Uma parte de mim age
A outra finge que não vê
Uma parte de mim tenta
A outra,
mesmo sem fazer nada,
vence.

Passos que talvez

Passos apertados que andando em círculos puxam uma corda que enforca. Meu pescoço. Do ser hoje talvez eu escolha o ser amanhã. Que talvez seja pra sempre amanhã. Do que fui ontem talvez eu não escolha ser sempre. Mas talvez que eu seja pra sempre. Do ser sincera talvez que eu escolha ser pelo meio, metade mentindo pra mim e a outra pra você. E talvez que esta seja uma verdade por inteiro. Dos passos que apertam e cobram talvez eu vire um deles, puxando minha própria corda. Ou talvez que não. Talvez que quase sempre talvez... Mas uma coisa é certa, que talvez eu sempre me confunda mesmo sabendo que acho que serei amanhã, igual a hoje, ou não.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Flor morta

Você aparece e desaparece de acordo com as folhas que caem no outono e os botões que florescem na primavera.
Do sorriso quase apagado crio inimagináveis contos.
Das lembranças, umas lembranças a mais...
Do esquecer de pensar perceber o próprio esquecimento.
Da sua ausência: você.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Déjà vu

Sinto que faço o que fiz.
Sinto que sinto que já senti.
Sinto que vejo o que vi.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Minha juventude é morta

Minha juventude é feita de lágrimas caladas muitas vezes camufladas com máscaras de carnaval. Quando elas saem invisíveis de repente percebo olhos inquietos com medo de serem descobertos. Com medo de não serem únicos mas muitas vezes procurando um pouco de compreensão.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Palavras magras mas bem reais

A chuva estala o chão lá fora dizendo que tenho que ir embora.
Embora pra onde? Pra sempre hoje ou pra sempre sempre?
Não importa...
Seguindo o batuque da água que goteja tento escorrer o sono e criar forças pro que me espera atrás da porta. Mesmo que lá fora seja só o meu hoje.
Um hoje feito de tédio onde amores e suas dores ainda não procuram o seu lugar.
Vivendo a arte sem arte e a vida sem vida procuro com o tudo um nada para ressuscitar o boneco onde fui inserida.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Excreção mental

O que faço não tem nada a ver com o que faço.
Refaço.
Refazendo o nada que tem a ver com o tudo mais não quer dizer coisa alguma escrevo refazendo ideias que não se ligam com as ideias antigas e por tanto deveriam seguir uma sequência. Das injúriosas frases que me ofenderão num futuro próximo pela estupidez presente ganho de brinde ficar com sono amanhã. Não pretendo escrever um bom texto nem falar de amores ou desamores, dores, sorrisos ou o que quer que seja de idiota e infantilmente comum que eu possa sentir. Só quero tirar de mim esse fardo de guardar esse nada há dias e por tanto, mais uma vez, ao reler esse lenga-lenga de coisa nenhuma ver que realmente o fardo de não sentir nada sentindo que sente. De não fazer nada sentindo que há o que se fazer. De não ter ideias sentindo que tem. Ficarão gravados para sempre no espaço tempo como se fossem um pouco de milho no chão para que eu me ajoelhe e peça perdão embora ao mesmo tempo eu refaça o nada e com o passar do tempo minha quantidade de milho aumente. Quem sabe talvez seja suficiente para fazer uma pipoca e ver um bom filme inútil e quem sabe, mais uma vez, repetir o ciclo até o fim de quem sabe o que.
O que faço não tem nada a ver com o que faço.
Faço.
Refaço.
Faço.

Da preguiça

Da preguiça mais preguiça se cria. Do fazer depois mais dias, que se nulos fossem trariam menos impactos, se acumulam. As rugas do fazer nada e a dor do trabalho que não há gritam enloquecidos quando se olha para traz ou simplesmente para um espelho que ao distorcer reflete a mais real das verdades: dias jogados no lixo. Amarrada a uma preguiça um tanto quanto física tendo-se como ponto de vista a iniciativa mental do algo fazer, tentá-lo é inútil quando o corpo é inerte. Se o que está por fora morre o que estava dentro o segue e morre ou adormece. Quando o que está por fora só quer dormir o que estava dentro voa e voa procurando uma saída e é na hora do repousar da ausência de trabalho que o que estava dentro resolve sair. Um corpo zombi o obedece. O que estava dentro agora o está pelo meio. Essas duas partes de um todo não se entendem e se separam. Uma face a outra se encaram. Vejo este embrulho de palavras flácidas e nada compreendo. Vejo essa pessoa inútil me ler e me pergunto o que ela ainda faz por aqui.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Certezas vazias

Daquelas que você sente no peito que tudo vai dar certo mas no final se embaralha. O tudo virou nada. Algumas vezes nada já é muita coisa e de vazio em vazio as coisas vão se contruíndo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Frases feitas e lição de moral de orkut me dão alergia.
Nada mais a declarar.
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domingo, 31 de janeiro de 2010

Je veux

Je veux faire sortir les couleurs des petits désagréments de la vie et les mettre sur une toile blanche
Je veux faire sortir des lettres, de grandes idées
Je veux faire sortir des larmes, un moment heureux qui viendra certainement
Et d'un sourire, un bon moment à garder
Je veux faire sortir l'espoir du ciel
Et du chemin une longue journée
Je veux retrouver l'innocence des enfants
Et de ton absence, garder de bons souvenirs de toi
Je veux faire sortir de la musique l'envie de vivre un film
Je veux l'harmonie dans les rencontres
Et des séparations, rencontrer quelqu'un
Je veux faire sortir de l'angoisse la solution
Et je veux tout souffrir
Et, puis, souffrir davantage si c'est par amour
Je veux enlever les barrières qui nous empêchent d'avoir des vies plus saines
Je veux prendre de la vie l'essentiel
Et je veux prendre tout cela et un peu plus encore, mais sans rien enlever à personne.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Não sei. Simplesmente. Não tenho como descrever o que sinto, nem por quem sinto e menos ainda por que sinto. Digamos que no olho do furacão nada se passa. Eu rodopio e ao mesmo tempo continuo parada com uma brisa suave batendo na face. Eu rodopio e volto sempre pro mesmo lugar com as mesmas lembranças e preocupações. Eu rodopio voltando sempre diferente e com algumas certezas a mais. Eu rodopio vivendo e ao mesmo tempo me sento esperando o ano passar. Neste momento estou deitada no olho procurando o que somente eu sei que me faz feliz...





(postado pela primeira vez em: quarta-feira, 27 de janeiro de 2010)
Depois do fim vem o recomeço. É recomeçando do zero que reinicio delirante e abstratamente a 3 parte de mim




O antigo conteúdo se encontra em: www.umaparte-demim.blogspot.com