sexta-feira, 30 de abril de 2010

Achei que poderia sustentar a vida de um corpo que não é meu
Ora porque faz mais do que aguenta
e outras porque quando o vejo sinto que não é o meu
minhas marcas não estam nele
e as marcas que ele possui não reconheço
O tempo me levou uma parte
e da parte que resta o sentido é ausente
pois elas era irmãs gêmeas mesmos sendo filhas de pais diferentes
De toda energia gasta o que resta:
felicidade e tristeza
a felicidade de ver o abstrato concerto
e a tristeza das abstratas dúvidas eternas
Constatar que podemos concretizar ideias
ao mesmo tempo em que a certeza do não ir longe se torna mais forte
(mesmo que haja a crença em si próprio)
é igual a uma equação de resultado zero
onde o zero é sinônimo de melancolia
Nos dias que tem se arrastado com pressa
fica cada vez mais evidente uma questão interna:
- O que você tem?
Que sempre obtém como resposta:
- Nada.
Um nada cheio de sentimentos contraditórios

Menos de um segundo

Nos últimos dias tenho sentido forte a montanha russa do meu ser
se agora estou de braços pra cima prestes a dar um grito
em menos de um segundo estou de cabeça para baixo pedindo pelo amor de Deus que ela cesse
se agora eu tenho toda esperança
em menos de um segundo ela já está tão longe que nem sinto mais seu rastro
se agora eu durmo pouco e tenho certeza que tudo vai dar certo
em menos de um segundo caio no sono, com certeza de que o "tudo vai dar certo" é a mais cruel das utopias...
se agora eu me apaixono
em menos de um segundo já não sei mais o que é o amor
se agora sinto que posso tocar todos os meus amigos
em menos de um segundo sinto a mais terrível das solidões
se agora me sinto viva e capaz de tudo
em menos de um segundo minha incapacidade me faz crer que eu já morri
pois uma vez que se atinge o topo
a sequência do capítulo é chegar como um raio ao fundo do poço

terça-feira, 27 de abril de 2010

Hoje me sinto curada e posso dizer que das tuas mãos não tenho mais lembrança
Sou uma fênix renascida das suas próprias palavras
fazendo ecoar o canto de uma nova esperança

Velhas conhecidas

Estas velhas músicas não me dizem mais muita coisa
Quando muito me sussurram de leve nunca terem feito parte da minha trilha sonora
Ainda não encontrei um por quê de sentir mesmo as músicas de ontem como velhas conhecidas das quais temos sempre as mesmas notícias.
Nem dos amores que elas ilustraram e afagaram consigo lembrar
Estaria eu transmitindo finalmente minha energia e sentimentos auditivos para as cores que têm ilustrado meus dias?
Seria a falta da necessidade das melodias alheias o tão buscado inicio da minha própria poesia no estilo do mais agudo grito que um amarelo incandescente pode dar?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Um aviso (a aqueles de quem gosto)

Tem gente, de quem gosto mas, que toca perigosamente nos meus nervos me dando uma vontade enorme de sapecar na cara coisas que não devo...
"Por que você não fez isso ou aquilo? Teria ficado mais interessante..." Só porque talvez em tal época isso ou aquilo de mais interessante estivesse um degrau acima das minhas capacidades... É tão complicado de entender? Isso porque num mundinho bem hipotético essa gente faz tudo. Acredito até que iluminem suas casas com as estrelas que caçam no céu... Sim, as perguntas são no nível desse absurdo. Um absurdo! Espero eu não ser dessa gente porque mais cedo ou mais cedo ainda meus nervos alcançaram meu limite onde o degrau acima você não atingirá nem com uma escalada.

sábado, 24 de abril de 2010

Hoje em dia o que sai das sombras das artes é a escória
os bons permanecem de baixo dos escombros

O atraso do boneco que se desmonta

Não consigo parar...
O atraso me persegue
Dormindo penso atrasando o sono
E acordo já fazendo os dois meses que deixei passar
Eles passaram sem que eu visse, não por preguiça
Mas pela pura e simples incapacidade de ser o tempo todo por inteiro
Esse atraso leva ao viver dois dias a cada dia
Esse viver em dobro, por sua vez, ao estresse
o estresse de tudo fazer rezando para que nada dê errado
leva à incapacidade do ser depois
Então eu sumo, ou pelo excesso, ou pela ausência
mas há os que me vêem correndo atrás do atraso
Com um corpo que está próximo do limite
Por isso, a cada dia tenho mais certeza de ser só um boneco
Um boneco no automático
e no qual de todos os remendos há enxertos que se escapam...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eu quero que você o tenha
mas não que modifique
e diga que é seu

O que dizer de mim...

(reticências no tempo)

sou um poço de doçura
e dois de maldade pura

um auto-retrato que baila pauta a baixo pintando notas

caleidoscópio personificado originário do Rio de Janeiro

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Fim

Hoje eu finalmente entendi o significado da palavra fim.
Descobri que quase todos os recomeços foram na realidade o seguir em frente achando que o que estava pra traz la ficaria.
O fim é diferente. É feito de tudo que foi ao mesmo tempo e junto de quem o viveu. Mas o que o singulariza do simples ato de seguir em frente mesmo que ainda haja dor ou o medo de que a alegria cesse é a indiferença. Não uma indiferença esnobe. Uma indiferença daquelas que nos faz duvidar de que fomos realmente nós que vivemos aquilo tudo.
Enfim.
Para tudo que foi e que me faz duvidar:
Fim.