quinta-feira, 31 de março de 2011

Facetas

As vezes penso como um poeta
de métrica já certa
por mais que a letra
não seja sempre a mesma
Do músico que fui -
ou tentei ser -
restou-me apenas a harmonia
em certas escolhas
Do pintor -
que ainda insisto em me tornar -
conservo as falsas cores
as vezes intensificadas
E do gravador
fico com a impressão
de poder ser mais
mesmo sendo menos
porque desse excesso de ausência
conservo a esperança
de que alguma beleza
pode ser encontrada

terça-feira, 29 de março de 2011

Mentira

Os textos saem/ geralmente em dupla/e assim com a mentira/ que tem perna curta/ passeiam meio manetas por aí/ Mas eles se completam/ as vezes deixando transparecer/ uma certa verdade/ ou uma mentira/ que de tão verdade/ chega a ser transparente/ por mais que sua base seja turva/ Os texto saem/ geralmente em dupla/ por que uma mentira/ precisa de outra para ser/ ou deixar de ser/ verdade

Mar

Na constância das ondas/ me perco/ e mesmo olhando além/ quando ela vem crescente/ me leva como que de surpresa/ Por enquanto me afogo/ mas num dia talvez próximo/ aprenderei a surfar nesse mar/ as vezes de ondas/ surpreendentes tardias ou não/

domingo, 27 de março de 2011

Metade/ metade (editado)

Sou metade mentira

e metade disfarce

Metade palhaça

e metade comediante

Metade de mim é implicante

e a outra ainda mais

Sou muitas metades -

dependendo da ótica do espectador

E nesse palco

de ausente platéia

metade de mim faz graça

e a outra se diverte

quinta-feira, 10 de março de 2011

Campo minado

Moro num campo minado
onde tropeço em gente
explosões de objetos
e as palavras em excesso
se esbarram
São tantas as bombas
que por vezes me esqueço
e em uma mesma mina
cativa
me machuco
As bombas tem crescidos
em compasso com meu medo
de um dia descobrir
que surtei pois
moro num campo minado
mas não quero trocar
meu coração
por uma bomba