terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mad World

Depois de alguns meses procurando um título geral para meus trabalhos acabei encontrando. Era uma música de um filme que custei a lembrar. Ficava cantarolando aquela melodia sem letra quando de súbito lembrei que era de um filme cujo nome demorei quase um semana para desvendar. Eu lembrava que começava por um D em algum lugar. Até que em uma das minhas sessões de "cantarolagem" ele veio como o ar que chega aos pulmões de alguém que esta se afogando. Donnie Darko.
Tenho tirado tudo de minhas lembranças. Talvez a atual criatividade não passe de plagio do tempo em que ela era realmente criativa. Por tanto para um mundo de loucos que título poderia ser melhor que Mad World? Com isso faço ainda meus cumprimentos ao inglês. Língua cuja função já foi muito questionada e rejeitada por mim. Diria ainda que essa é a coroação da maluquice toda.

domingo, 19 de setembro de 2010

Conjugando vontades

Queria parar de viver de lembranças
das quais muitas já foram adulteradas
pela ação do tempo
Queria conseguir viver
mesmo nesta condição de exílio
no lugar de ser meu próprio fantasma...
Como poderia eu
querer que os outros não desistissem de mim
tento sido eu
a primeira a me deixar
Assombrando meus dias com uma cara rabugenta
afungento tudo e todos
que ainda tem a audácia de se aproximar
Gostaria de deixar de conjugar
minhas vontades no condicional
mas isso acaba sempre ficando para um amanhã...
Um amanhã que passa com pressa
deixando apenas o mesmo passado:
a vontade de conjugar meu verbo ao presente

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pensando alto

Nos recentes dias que passaram com pressa tive uma grande vontade de jogar tudo para o alto - como se eu já fosse um alguém. Tive vários por quês brincando de cambalhota em minha mente. Queria me esconder de tudo e ao mesmo tempo tudo e todos encontrar. Queria rir de uns, rir com outros e chorar a sós - engraçada uma ação solitária sendo definida por uma palavra no plural... . Andei pensando na utilidade de ter um diploma. Qual a explicação de tal necessidade? Não seria a vida indígena muito mais interessante que a nossa? Gostaria de entender o por quê das hierarquias pois não foram raras as vezes em que achei de imbecilidade estupenda frases formadas por autoridades, no sentido geral da palavra. Hoje eu quis renegar minha arte para poder aceitá-la. Decidi também que quero trabalhar para mim e ser minha própria colecionadora, embora eu ainda me sinta razoavelmente seduzida pelo cruel mercado da arte. Ou poderia dizer também: sua própria guilhotina. Acho que é essa brincadeira com o perigo que me atrai. Esse viver no limite. O limite se dá por esse contato que de uma hora para outra pode acabar com o que vende. Não quero ser uma mera máquina. Mas a cada dia a certeza é crescente de que são essas máquinas que vendem.

Escolhas ou o simples seguimento do curso da vida

Hoje, repensando minhas escolhas, tive a ligeira impressão de ter feito algumas turvas. Turvas em relação ao meu sentimento de artista por assim dizer. Reafirmei mais uma vez para mim que sou apaixonada pela gravura e aceitei de uma vez por todas o fato de ter sido amor a primeira vista (a primeira impressão é a que fica - tosco mas verdadeiro). Nesse meio tempo digamos que tive um relacionamento sério com a pintura mas tive sempre a gravura de amante - preenchendo meus tempos vagos. Como todos os relacionamentos entram em crise digamos que estou tendo uma crise séria com a pintura. Enquanto me forço a pintar em um ambiente pouco atraente e que não me dá vontade nem de levantar da cama, me sinto cada vez mais motivada para gravar. Hoje em dia predomina em mim uma angustia em relação a pintura pois se pintar não quero, quero menos ainda pintar o que me mandam. Sinto a perda do tempo passado e presente. A perda da possibilidade de me aperfeiçoar na gravura e da produção de lixo visual que estão se tornando minhas pinturas. Eu pensava que na graduação deveríamos ser direcionados para o que queremos fazer, ou no caso pintar, no futuro quando a direção será dada por nós. Mas agora vejo que foi só mais um de tantos enganos ao longo de minha graduação. Os únicos motivos pelos quais ainda não me deixei afundar foram as dúvidas em relação ao meu progresso: Teria sido ele como foi, ou não? Teria eu chegado a maturidade crítica, do ponto de vista artístico, atual, ou não?