sábado, 26 de fevereiro de 2011

Computador

Devido a um estágio mais observador reparei que nossos objetos inanimados estão repletos de vida. A tecnologia nos chama e vamos sempre, obedientes. Entrando no estágio anterior ao do sono, ainda de olhos abertos, voltei-os para um dos computadores que se reproduzem em minha casa. Aquela luz brilhante me despertou e durante alguns minutos me manteve fascinada. Era a luz do botão de liga e desliga cujo brilho, intermitente, parecia se inspirar nos batimentos de um coração. Atentei ao fato de que isto não é à toa. Esse latejar luminoso que tanto prendeu minha atenção é provedor também de um sentimento de irritabilidade capaz de mover os seres mais preguiçosos. Essa tal capacidade é ainda aumentada se no ambiente em questão esse pequeno pulso de quase vida for a única fonte de iluminação. A única coisa que ainda me desassossega é a vontade de saber se há alguém no mundo capaz de desligar esse pseudo-ser sem antes dar aquela última olhada.

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